Isso me causou uma tristeza tão grande... Valei-me PAULO FREIRE! Só me resta cantar essa reza:
Um espaço para sonhos, utopias, revoltas e outras sensações fora de moda...
segunda-feira, 30 de junho de 2014
I'm a dreamer
Hoje fui chamado de "sonhador"!
Isso me causou uma tristeza tão grande... Valei-me PAULO FREIRE! Só me resta cantar essa reza:
Isso me causou uma tristeza tão grande... Valei-me PAULO FREIRE! Só me resta cantar essa reza:
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Tempos de humanidade desumanizada
Tenho conversado - pouco, ultimamente - sobre política com alguns pobres loucos cansados como eu. E está muito chato conversar sobre política! Esse "banzo de fim de feira" que tem assolado o nosso tempo presente gerou homens cansados, taciturnos, pálidos... por que não dizer, quase-mortos!
Conversar sobre política, sobre ideologias, é quase que um assunto extraterreno, assim como se parecem os interlocutores. Somos e estamos cansados, exaustos, abatidos, cabisbaixos... pobres diabos!
Perdemos o jogo! Dos sonhos e da militância sobraram os restos, os refugos, as postas-restantes, a poeira... Sobrou o pó!
Discutir com um amigo, política? Ora! "Mudemos de assunto... vamos falar de coisa boa", diria o incauto, o insensível, o vencido... o meu algoz!
Mataram-me com a política que mataram!
* * * *
Valei-me Brecht! Valei-me os mortos que ainda caminham e as cabeças cortadas que ainda pensam! Voltemos a sonhar, afinal, "sonhar já é alguma coisa mais que não sonhar"!
Segue um texto lúcido!
Qual a “culpa” do PT?
Precisamos de um estado que enfrente o modo de vida capitalista. Precisamos de governantes que balancem as estruturas, que sejam capazes de mudar as coisas, na sua raiz.
09/06/2014
Por Elaine Tavares
Não sou petista e tenho fortes críticas aos governos Lula e Dilma. Tendo votado no PT em 2002 e esperando que o governo avançasse em, pelo menos, algumas questões estruturais, acabei sendo uma das lideranças sindicais de esquerda ( à época estava na coordenação do SINTUFSC), que, logo em seguida da posse – três meses depois – já denunciava o grande golpe dado nos trabalhadores públicos com a contra-reforma da Previdência.
Assim, deixando claro aos provocadores de plantão, tenho, desde então, observado com olhar crítico a ação governamental petista, e não posso deixar de dizer que muito me incomoda essa enxurrada de bobagens – obviamente eleitoreiras - que tem sido ditas nas redes sociais sobres os males do nosso país.
As pessoas estão morrendo nos hospitais. Não é “culpa” do PT. Também, mas não só. Desde sempre, nos sucessivos governos da República, e antes, do Império, que a saúde das populações empobrecidas está entregue às moscas. Os hospitais sempre estiveram lotados e sem condições de atendimento, porque os municípios – governados pelos mais diferentes partidos - administram mal a política de saúde, com postos sem médico e precariamente equipados. A educação vai mal. É verdade! Mas, quando não foi? Desde quando que os pequeninos das comunidades rurais, ou das áreas urbanas empobrecidas tiveram condições reais de estudar? Em qual governo isso se deu?
As grandes cidades se enchem com as chuvas? Obviamente. Desde o início do processo de desenvolvimento urbano que a organização das cidades não respeita o leito dos rios, córregos e ribeirões. Mas, quantos foram os governo que sucessivamente passaram, apostando nessa lógica insana do crescimento a qualquer preço, sem levar em consideração a realidade da natureza?
O PT tem a sua cota de responsabilidade, é claro. Esperava-se que por vir de raízes populares tivesse outra forma de lidar com os problemas. Mas, não aconteceu. Apesar de ao longo dos governos de Lula e Dilma terem crescido as políticas sociais voltadas aos empobrecidos, o governo petista não tocou nos grandes nós estruturais. Muita gente saiu da miséria absoluta, e isso é coisa louvável. As políticas de distribuição de renda, ainda que ínfimas, em alguns lugares e para algumas famílias significam a linha entre a vida e a morte. Mas, ainda são políticas compensatórias que raramente emancipam.
Milhares de jovens no interior desse país agora podem cursar a universidade. É um fato. Os governos petistas criaram universidades em lugares inauditos, inimagináveis. E propiciaram que outras tantas faculdades privadas surgissem nas cidades mais longínquas. Como negar a importância disso? O ensino não tem muita qualidade, os empresários da educação enchem seus bolsos, mas alguns jovens que jamais teriam oportunidade de cursar o terceiro grau, o estão fazendo. Precariamente, é certo, mas há os que se superam e vão adiante.
Sempre fiz a crítica às políticas de engordamento do bolso privado e sigo fazendo. Mas, já me emocionei com famílias amigas que foram ver a formatura de seus filhos, coisa impensável até alguns anos atrás em uma cidade como Cristalina, interior de Goiás, ou João Pinheiro, interior de Minas. Também é importante a consolidação da política de cotas, que trouxe os negros e os índios para dentro dos muros das universidades, obrigando uma das instituições mais fechadas do país a se confrontar com a cara real das gentes brasileiras.
Só que as coisas boas – poucas, porque permeadas de complexidades - que se podem apontar no governo petista não são suficientes se realmente queremos um mundo diferente. Precisamos de um estado que enfrente o modo de vida capitalista. Precisamos de governantes que balancem as estruturas, que sejam capazes de mudar as coisas, na sua raiz. Então, se alguma “culpa” o PT tem é a de não ter pego o bonde da história, aquele que produziria a mudança, coisa que poderia ter feito, tamanha a popularidade de Lula no primeiro mandato. Em vez disso, o governo se manteve nos limites da “governabilidade”, adoçando os lábios da pobreza, enquanto segue alimentando com manjares a voracidade dos capitalistas, dos grandes empresários, dos donos de terra. Comporta-se como os demais, embora permita uma certa distribuição de renda via políticas públicas.
Por isso não acho justo atribuir ao PT a “culpa” pelos males do país. Esses problemas estruturais estão aí desde a colônia e temos de seguir fazendo frente a eles, com críticas e propostas. Por conta disso sinto-me muito confortável para criticar as políticas governamentais sem correr o risco de me assentar do lado direito da “assembleia”, que seria o lugar dos conservadores dos reacionários. Não o sou. Por outro lado, não consigo permanecer impávida diante da crítica daqueles que durante toda uma vida chuparam o sangue dos brasileiros e que agora querem fazer crer aos incautos e desinformados que todos os males - que eles mesmos ajudaram a aprofundar – são de única responsabilidade do governo que aí está. Não reconheço essa crítica e não aceito.
Essa semana, durante o Encontro Nacional de Economia Política (ENEP), uma economista, defendendo as políticas do governo petista, dizia: “prefiro apoiar esse governo, que consegue implementar pequenos avanços, porque nele posso ter mais chance de arrancar coisas melhores”. Fiquei a pensar e cheguei a conclusão de que não concordo. Um governo do PSDB, do DEM, ou do PP não me servem, porque eles estão claramente comprometidos com a elite e não são capazes de fazer qualquer concessão à maioria. Mas o governo petista, bem como o de seus aliados, PMDB e PC do B, também está ajoelhado diante da elite, sem coragem de dar passos mais ousados. Teve a chance. Não o fez. Logo, não pode representar nada além disso que já está aí. E, como disse, até fez algumas coisas boas, mas absolutamente insuficientes no sentido de uma mudança real de paradigmas.
Assim que ainda estamos diante do desafio de encontrar outro caminho, que, creio, certamente não passa pela via eleitoral. Como bem definiu o economista Marcelo Carcanholo, também no XIX ENEP, não podemos ter como horizonte administrar o estado capitalista dependente, porque ele seguirá exigindo o que o sistema determina. E, nesse espectro, o governante tem pouca margem de manobra. Passinhos de formiga. É o caso do governo atual.
Então, nesses dias que antecedem a Copa e as jogadas eleitorais, é hora de refletir sobre o mundo que queremos, ancorados nas nossas utopias. É esse lá-na-frente, ainda não chegado, mas possível, que precisa servir de bússola para nossa ação. Mas, a crítica, necessária, deve ser, sobretudo, honesta. Nesse sentido, todo meu repúdio aos vilões do amor, que desde a chegada das caravelas estão se banqueteando com as riquezas alheias. A eles, nenhuma concessão.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
La mar...
É curioso que no espanhol se diz tanto "EL MAR" como "LA MAR". Sempre tive a curiosidade de qual artigo usar...
Lendo Hemingway obtive uma sensacional justificativa... Desde então, sempre trato "o mar" como se trata uma mulher... Talvez venha daí o meu receio de, quase sempre, preferir ficar só na areia!
Segue...
"O
velho pensava sempre no mar como sendo la mar, que
é como lhe chamam em espanhol quando verdadeiramente lhe querem. Às vezes
aqueles que o amam lhe dão nomes feios mas sempre como se tratasse de uma
mulher. Alguns dos pescadores mais novos, aqueles que usam bóias como
flutuadores para as suas linhas e têm barcos a motor, comprados quando os
fígados dos tubarões valiam muito dinheiro, quando falam do mar dizem el mar, que
é masculino. Falam do mar como de um adversário, de um sítio ou mesmo de um
inimigo. Mas o velho pescador pensa sempre no mar no feminimo e como se fosse
uma coisa que desse ou não desse grandes favores, e se o mar fizesse coisas
selvagens ou cruéis era só porque não podia evitá-lo. 'A lua afeta o mar tal como afeta as mulheres', pensou o velho."
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Sussuruídos
A
gente vai percebendo que envelhecer é um processo mais complexo que a simples
cronologia da coisa. Também se vai criando o sentimento de que não é só o corpo
que adquire rugas e cicatrizes. A alma, esse fantasma que ainda não voou,
também guarda suas cicatrizes, ganha rugas, perde os cabelos.
Uma
vez ouvi que envelhecer é acumular perdas. Por isso é que algumas crianças órfãs
são estranhamente maduras, como velhos em pele tenra. O fim de um amor; um
adeus dito entre dentes; a morte de um amigo... São infortúnios que nos tornam amargos,
pesados, inexoravelmente velhos!
Ao meu amigo
que ficou encantado ontem, ofereço-lhe uma Rosa:
"Sofri o
grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem,
depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que
agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao
menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa
canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo,
rio a fora, rio a dentro — o rio."
(trecho de "A terceira margem do rio", de Guimarães Rosa)
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Pequeno Conto Andarilho
Pequeno Conto Andarilho
O dia, que mais pareceu um ano, acabou dolorido. As costas
sobre o chão duro, tão frio quanto úmido, tremiam com o viaduto. Queria comer, dormir, sonhar, conversar... Queria
um monte! Mas querer passa... Dizia a si mesmo, em pensamento, como um monge
paciente.
E a noite trouxe gentes que voltavam pra casa. E eram gentes
bastantes! Um passante, dentre quase mil, jogou-lhe uma moeda certeiramente à
mão, preguiçosamente estendida e, ironicamente, despretensiosa. Apertou-a entre
os dedos. Apertou muito! Ainda estava quentinha... Perdeu, naquele momento, a
fome e o frio. Ficou farto e feliz! Repleto de energia! Ganhara, naquele dia,
mais calor que no ano todo!
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Barão de Cocais construirá posto de saúde de mais de R$ 1.000.000,00
Novo Posto de Saúde do bairro Leão XIII/São Miguel vai
custar mais de um milhão de reais!!!
Essa foi a notícia que o atual prefeito (na berlinda por um processo de cassação) veiculou com orgulho na última semana.
Durante os dois anos que trabalhei no referido bairro, a última coisa que passou pela minha cabeça foi “investir” em uma nova construção.
Prefeitos e secretários de saúde tendem, por serem leigos, a direcionar dinheiro às coisas menos importantes! Acho isso incrível! Esses senhores não entendem que não é de blindex que a saúde precisa!
Nos felizes anos que lá trabalhei desenvolvemos (eu, a maravilhosa enfermeira Luciene, as técnicas em enfermagem Cida e Gracinha, a odontóloga Regina, a nossa (faz tudo) faxineira Andréia e as 5 agentes comunitárias de saúde) um trabalho que, em momento algum, foi prejudicado pela estrutura física do local.
Pelo contrário... Tínhamos uma linda Farmácia Verde (com mais de 60 plantas medicinais plantadas por nós e pelos próprios pacientes) e um lindo jardim com duas jabuticabeiras que serviam a molecada à época certa. Tínhamos um bom espaço para reuniões e consultórios razoáveis. Faltava, de fato, uma “meia sola” na cozinha...
Isso porque sei que muito mais importante que estrutura física é a estrutura humana! E ainda muito mais importante que estrutura física é a estrutura organizacional. Estrutura esta que Barão de Cocais nunca teve!
A Secretaria de Saúde é desorganizada. As secretarias não conversam entre si. As referências clínicas não contra-referenciam. O Hospital Municipal encontra-se em outro mundo que não aceita dialogar com as Unidades Básicas de Saúde. Não há dados confiáveis (epidemiológicos) para planejamentos na saúde. Não há um modelo, uma linha central ideológica a ser seguida... Gestores, geridos e pacientes (vítimas) são cegos num tiroteio em que, vez por outra, alguém morre mesmo.
Em nosso posto, mesmo sem grandes ajudas da prefeitura, trabalhamos conceitos como o PODER LOCAL ao criarmos o Conselho Local de Saúde. Fizemos uma verdadeira mobilização, com candidatos, eleitores e uma grande vitória do controle social tão falado, mas pouco aplicado no SUS. Tínhamos um Coral que se chamava “Eu toco a vida com música”... Não existia a prática de “pegar ficha”. Ninguém ia para casa sem atendimento, caso necessitasse.
Fazíamos todos os pré-natais e todas as cirurgias ambulatoriais necessárias. Às vezes fazíamos até mesmo suturas – uma forma de aliviar o Hospital. Tínhamos dias de visitas com agenda pré-determinada. Iniciamos a classificação de risco familiar com aparato teórico (Escala de Coelho) bem justificado. Tínhamos reuniões de equipe toda semana, em roda, para cobranças, planejamentos e discussões quanto às nossas práticas (uma forma de “educação permanente” que se opunha à “educação continuada” proposta pelos PEPs do senhor Aécio Neves, tão superficial e ineficiente).
Negamos os computadores obsoletos distribuídos para classificação de Manchester na UBS (ideia insana do Governo do Estado) por acreditarmos que ACOLHIMENTO é um dos grandes pilares da atenção básica! A relação equipe/paciente era muito harmônica. Fazíamos busca ativa dos casos necessários. Dialogávamos com a APAE, com a Cadeia Pública municipal, com a diretoria da escola do bairro, com as igrejas... Fazíamos grupos operativos com fins específicos, inclusive grupos à noite (para facilitar a participação dos trabalhadores, tão ocupados durante o dia).
Todas essas coisas, as quais eu acredito, não custaram dinheiro. Custaram tutano e tempo! Tempo ‘gasto’ com prazer e amor na luta por uma saúde acolhedora!
Proponho ao senhor prefeito se capacitar mais. Ao senhor secretário de saúde proponho passear pelo bairro. Verá que não há local para esportes e caminhadas. Não há meios de lazer que não botecos e ‘bocas’. Não há espaços culturais. O rio que cruza o bairro é imundo. Os índices de alcoolismo, violência contra a mulher, prostituição, estão entre os maiores da cidade. É um bairro esquecido!
NADA DISSO VAI SER RESOLVIDO COM UM NOVO PRÉDIO!
Um milhão de reais daria, inclusive, para treinar melhor sua equipe para, quem sabe, em um futuro próximo, não cair novamente no erro que vocês estão caindo!
Seguem abaixo fotos ilustrativas (e saudosas, pelo menos pra mim).
Coral "Eu toco a vida com música"
Eleição para o Conselho Local de Saúde
Regina (odontóloga) em nosso lindo pátio interno, em Grupo Operativo
Discussão sobre o Estatuto do Conselho Local de Saúde, já com os eleitos.
Farmácia Viva (nos fundos do Posto)
Lanche servido no Grupo de Hipertensão e Diabetes (feito por nós mesmos, com decoração de folhas retirada na própria Farmácia Viva)
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Uma das eróticas de Drummond...
A
castidade com que abria as coxas
A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava.
Na mansuetude das ovelhas mochas,
e tão estreita, como se alargava.
Ah, coito, coito, morte de tão vida,
sepultura na grama, sem dizeres.
Em minha ardente substância esvaída,
eu não era ninguém e era mil seres
em mim ressuscitados. Era Adão,
primeiro gesto nu ante a primeira
negritude de corpo feminino.
Roupa e tempo jaziam pelo chão.
E nem restava mais o mundo, à beira
dessa moita orvalhada, nem destino.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Thiago de Mello
Chará - mas quem me dera ser grande como!
Pra quem não conhece:
Um trecho de "Recado de Companheiro"
"...tens de guardar
dia a dia, mesmo doendo,
o amor no teu coração:
sabendo que amor só cresce
quando se reparte inteiro
e se deixa de crescer
de ser amor também deixa…"
...e outro que só entende quem entende:
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que quero ser.
Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.
Não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular – foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
- muito mais sofridamente -
na primeira e profunda pessoa
do plural.
Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.
É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
( Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros. )
Se trata de abrir o rumo.
Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando.
Pra quem não conhece:
Um trecho de "Recado de Companheiro"
"...tens de guardar
dia a dia, mesmo doendo,
o amor no teu coração:
sabendo que amor só cresce
quando se reparte inteiro
e se deixa de crescer
de ser amor também deixa…"
...e outro que só entende quem entende:
PARA OS QUE VIRÃO
Como sei pouco, e sou pouco,faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que quero ser.
Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.
Não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular – foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
- muito mais sofridamente -
na primeira e profunda pessoa
do plural.
Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.
É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
( Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros. )
Se trata de abrir o rumo.
Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando.
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